Nevus atípico ou melanoma da íris?

Autores: 

Samuel Alves, Susana Pina, Ana Rita Azevedo, Manuela Bernardo, João Cabral, Isabel Prieto

Resumo: 
     Objectivo: Relato das dificuldades diagnósticas e de decisão terapêutica, bem como da abordagem cirúrgica de um caso clínico de um tumor atípico da íris.
     Material e Métodos: Descrição e discussão de um caso clínico. Indivíduo de sexo masculino, 35 anos, apresenta no olho direito tumor pigmentado da íris inferior, sem sintomas ou sinais, e melhor acuidade visual corrigida (MAVC) de 20/20. A situação clínica do paciente e as características do tumor foram documentadas cronologicamente com reavaliações seriadas, fotografias de segmento anterior e biomicroscopia ultra-sónica (UBM). Após confirmação do crescimento do tumor a excisão cirúrgica foi proposta, mas recusada pelo paciente. Durante dois anos abandonou a consulta. Após dois anos observou-se expansão progressiva tumoral até ao ângulo e corectopia; mantendo MAVC 20/20 e uma pressão intra-ocular (PIO) normal. Após decisão conjunta com o paciente decide-se realizar excisão cirúrgica. O tumor foi totalmente removido por iridociclectomia sectorial, preser­vando-se o cristalino transparente e finalmente realizou-se iridoplastia.
     Resultados: Apesar da difícil abordagem, o tumor foi removido com sucesso com preservação do cristalino transparente. Foi realizada sutura da íris para encerrar o coloboma cirúrgico. Um vídeo ilustra o procedimento cirúrgico. No período pós operatório não foram observadas complicações tais como PIO elevada, diplopia, fotofobia, opacidade do cristalino e diminuição da MAVC. O diagnóstico histopatológico revelou “Nevus pigmentado com atipia celular”. Apresenta follow–up de pós-operatório de 10 meses. Observou-se atrofia progressiva da íris na região da sutura, sem outras alterações. Apesar dos resultados histológicos, a malignização para melanoma não pode ser excluída. Mantém-se o paciente em reavaliações periódicas.
     Conclusões / Discussão: O nevus da íris é o tumor sólido mais comum da íris, mas neste caso, um crescimento atípico é sugestivo de malignidade. O risco cirúrgico é difícil de aceitar pelo paciente sem sintomas e com uma MAVC excelente. O diagnóstico bem como a melhor abordagem cirúrgica continua a ser um desafio. Mais tempo de follow–up é necessário neste caso.

 

Apresentado: 
no 53º Congresso Português de Oftalmologia, em Vilamoura, Dezembro de 2010
Publicado: 
na Revista da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, Vol. 35, n.º 3, pág 283-286, Julho-Setembro de 2011
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