Autores:
Cristina Santos, Ana Rita Azevedo, Susana Pina, Mário Ramalho, Catarina Pedrosa, Mara Ferreira, João Cabral
Resumo:
Objectivo: Descrever cinco casos de melanoma da coroideia com diferentes abordagens terapêuticas (radioterapia por emissão de protões e enucleação).
Introdução: O melanoma da coroideia é o tumor intraocular maligno mais frequente em adultos. É geralmente assintomático até à instalação de complicações como descolamento de retina. Nestas fases avançadas da doença o prognóstico visual é já reservado.
Métodos: Descrição de cinco casos de melanoma com apresentações clínicas diferentes. Os exames complementares oftalmológicos realizados incluíram: retinografia, ecografia modo-B e ressonância magnética. O estudo sistémico incluiu enzimas hepáticas e ecografia abdominal.
Resultados: Foi feito o diagnóstico de melanoma da coroideia a cinco doentes. O doente 1 foi um achado fundoscópico durante um exame de rotina. O doente 2 recorreu ao serviço de urgência por defeito no campo visual superior, apresentando descolamento de retina exsudativo inferior associado a tumor pigmentado. O terceiro caso foi observado por diminuição da acuidade visual. Apresentava descolamento de retina envolvendo o polo posterior. O doente 4 recorreu ao serviço de urgência por dor ocular, apresentando glaucoma agudo associado a tumor intra-ocular volumoso. O doente 5 foi observado por diminuição progressiva da visão, apresentando descolamento de retina quase total associado a tumor intra-ocular volumoso.
Os doentes 1 e 2, cujos tumores apresentavam ecograficamente espessura inferior a 6mm, foram submetidos a radioterapia por emissão de protões no Hospital Jules-Gonin (Lausanne, Suíça). O doente 1 manteve boa acuidade visual e o doente 2 manteve alguma visão central. Os outros 3 casos foram sujeitos a enucleação tendo o exame anátomo-patológico confirmado o diagnóstico. O estudo sistémico foi negativo em todos os casos.
Conclusões: Até à década de 70, a enucleação era o tratamento padrão para o melanoma da coroideia. No início dos anos 70, a radioterapia e outras abordagens terapêuticas que permitiam conservar o globo ocular foram ganhando popularidade.
A radioterapia externa com partículas carregadas, como os protões, pode conservar um nível de visão útil. O prognóstico visual depende das dimensões do tumor, localização em relação ao disco óptico e mácula e complicações associadas como descolamento de retina ou glaucoma. É de salientar que o diagnóstico no primeiro doente foi através de fundoscopia em exame de rotina. Este caso mostra-nos que o diagnóstico precoce é possível, possibilitando um melhor prognóstico visual.
Apresentado:
no 55º Congresso Português de Oftalmologia, em Lisboa, Dezembro de 2012